RELIGIOSIDADE

Ecumenismo

O termo ecumenismo se refere ao convívio harmonioso entre as diversas religiões cristãs, como católicos, ortodoxos e protestantes. O movimento ecumênico surge entre os protestantes, no início do século XX, culminando com a fundação do Conselho Mundial de Igrejas (CMI – www.oikoumene.org), em 1948, iniciativa abraçada mais tarde por quase todas as vertentes cristãs. Com o tempo, a noção de ecumenismo ampliou-se, passando a englobar a boa convivência entre os diferentes credos, confundindo-se, assim, com a ideia geral de diálogo inter-religioso.

Sincretismo

O termo refere-se à amálgama de elementos de doutrinas diferentes num único credo. Um exemplo de sincretismo pode ser observado nos cultos afro-brasileiros, como o candomblé e a umbanda. Como os negros no Brasil escravocrata eram proibidos de praticar suas crenças, eles criaram identificações entre as divindades africanas e os santos da religião dominante, a Igreja Católica, gerando associações que se mantêm até hoje. Outro exemplo de crença sincrética é o culto do Santo Daime, no Brasil, que agrega princípios colhidos das tradições indígenas e do catolicismo em seus rituais.

Tradições indígenas

Classificação utilizada no Censo de 2000 do IBGE que inclui, dentre outros, grupos como o Santo Daime, a União do Vegetal (UDV) e a Barquinha. Esses credos têm como característica comum a utilização ritual da ayahuasca, um chá obtido da fervura de duas plantas amazônicas – o cipó jagube (Banisteriopsis caapi) e o arbusto chacrona (Psychotria viridis) – e considerado sagrado por dezenas de tribos indígenas, que o têm como centro de sua cosmologia. A ayahuasca representa o elo com o mundo espiritual, e sua ingestão, segundo os adeptos, proporciona intensas experiências místicas que levam a contatos genuínos com o plano superior e a reavaliações da própria vida terrena. Veja mais no site www.ayahuascabrasil.org/index.php?op=links.

Tradições esotéricas

Classificação utilizada no Censo de 2000 do IBGE que pode ser dividida em duas correntes. A primeira reúne grupos e movimentos religiosos e filosóficos formados no início do século XX, como a Sociedade Brasileira de Eubiose e a Sociedade Teosófica, que possuem doutrinas apoiadas em valores como o racionalismo e o positivismo. A segunda corrente está relacionada a movimentos libertários, influenciados pelos hippies, à new age e aos cultos e práticas orientais. Enfatizando mais a experiência individual que os aspectos doutrinários, constituem-se como uma alternativa de busca espiritual para as pessoas que não se identificam com as instituições religiosas tradicionais. Um exemplo é a comunidade do Vale do Amanhecer, no Distrito Federal.

RELIGIÃO

A religião é um sistema de crenças, doutrinas e rituais que são próprios de um grupo social. De acordo com a Enciclopédia Merrian-Webster de Religiões do Mundo, produzida em parceria com a Enciclopédia Britânica, uma definição para religião relativamente aceita entre os estudiosos é a seguinte: “religião é um sistema comum de crenças e práticas relativas a seres sobre-humanos (…) que podem fazer coisas que nós não podemos (…) e que podem tomar a forma de ancestrais, deuses ou espíritos”.

Nesse sentido, o conceito de religião incluiria três elementos:

  • crença em níveis de existência superiores à vida material;
  • convicção de que nesses níveis elevados se encontram a causa e o sentido da vida;
  • regulamentação da vida pessoal e coletiva; e organização de ritos específicos com o objetivo de conhecer o mundo transcendente e obter dele algum benefício – material, espiritual ou ambos. Mostramos aqui algumas das religiões seguidas por milhões de pessoas no Brasil e no mundo.

Dogma

Dogma é um ponto considerado fundamental e inquestionável dentro de uma doutrina religiosa. Na Antiguidade, porém, o termo não tinha essa conotação rígida. De origem grega, a palavra dogma (que significa “aparência”) referia-se a uma opinião ou a uma crença. Foi só com a incorporação da expressão pelo cristianismo, a partir do século III, que ela passou a designar uma verdade absoluta que não pode ser contestada. Usada também fora do contexto religioso, a expressão conserva o significado de uma opinião que se confunde com uma verdade indiscutível.

CRENÇAS

Animismo

Crença de que tudo o que existe – seres vivos, objetos inanimados, lugares e até fenômenos naturais – tem alma. O termo foi cunhado no século XIX, pelo antropólogo inglês Edward Tylor, a partir do termo anima (alma, em latim). Várias religiões, sobretudo aquelas praticadas em tribos na África Subsaariana, nas Américas (incluindo crenças indígenas brasileiras), no sul da Ásia e na Oceania, são consideradas animistas – embora vários estudiosos apontem para o caráter redutivo de tal formulação, que privilegiaria um único entendimento da religião. Entre suas características comuns estariam oculto aos espíritos dos ancestrais e a prática da magia, do curandeirismo e de sacrifícios de animais oferecidos às divindades.

Politeísmo

Crença na existência de mais de um deus. Quase todos os povos da Antiguidade desenvolveram religiões politeístas. No Ocidente, destacam-se gregos e romanos. Roma, herdeira da cultura grega, assimilou os deuses da Grécia antiga, atribuindo-lhes outros nomes. A crença politeísta com o maior número de adeptos é o hinduísmo.

Monoteísmo

Crença na existência de apenas um deus. As três principais religiões monoteístas são o cristianismo, o islamismo e o judaísmo, todas amparadas na ideia de um único Criador, onipotente, onisciente e onipresente. Atualmente, os credos que concentram o maior número de fiéis no mundo são monoteístas.

DOUTRINAS

Agnosticismo

Doutrina segundo a qual não é possível ter certeza sobre as questões religiosas – como a existência ou não de Deus –, já que elas não podem ser confirmadas nem negadas cientificamente. Os agnósticos não são ateus nem crentes, mas assumem a ignorância em relação àquilo que está além do conhecimento racional. O termo agnóstico vem do adjetivo grego ágnóstos, que significa ignorante.

Ateísmo

Doutrina que nega a existência de qualquer divindade e dispensa a ideia de uma justificativa divina para a vida. Um dos argumentos utilizados pelos ateus para sustentar sua posição é a suposta incompatibilidade da coexistência de Deus e do sofrimento humano, assim como a interpretação de que a crença religiosa é uma espécie de fuga da realidade. Fora do âmbito estritamente religioso, o ateísmo se apresenta como postura filosófica de largo alcance em vários períodos da história.

Candomblé

Religião afro-brasileira estruturada em torno do culto aos orixás, como são chamadas as divindades das nações africanas iorubas. O candomblé chega ao Brasil entre o século XVI e o XIX, com os escravos africanos. As cerimônias, celebradas em templos denominados terreiros, são marcadas por cantos e danças ao som dos atabaques, cujo ritmo varia segundo o orixá homenageado. A consulta às divindades é realizada por meio de oráculos, como o jogo de búzios, e da incorporação das mesmas pelos filhos-de-santo, como são conhecidos os médiuns.

No Brasil, a religião cultua, ao lado do deus supremo criador dos orixás, Olodumaré, apenas 16 dos mais de 200 orixás existentes na África Ocidental. Por aqui, em virtude da repressão sofrida pelo credo no decorrer dos séculos, eles costumam ser associados com santos católicos. Atualmente o termo se refere às diversas seitas derivadas do candomblé e que agregam elementos externos ao culto original, como o candomblé de caboclo, com influências das tradições indígenas. Veja mais no site www.orixas.com.br.

Confucionismo

Doutrina religiosa e político-filosófica do pensador chinês Confúcio (551-479 a.C.). O princípio básico do confucionismo é conhecido pelos chineses como junchaio (ensinamentos dos sábios) e define a busca de um caminho superior (Tao) como forma de viver bem e em equilíbrio entre as vontades da terra e as do céu. Confúcio é mais um filósofo que um pregador religioso, mas suas ideias se fundem aos cultos chineses mais antigos. O confucionismo foi a doutrina oficial na China durante quase 2 mil anos, do século II ao início do XX. Ainda hoje, é lá, e em outros países asiáticos, que se concentra a maioria dos adeptos.

Taoísmo

Religião que nasce da escola de filosofia chinesa centrada no conceito de “caminho” (Tao). Como filosofia (Tao chia), sua origem é atribuída aos ensinamentos do sábio Lao Tsé, que teria vivido no século VI a.C. O Taoísmo religioso (Tao ciao) surge no século II, durante a dinastia Han, e assimila alguns dos elementos religiosos mais antigos da China. Prega a sabedoria do Tao, a única fonte do universo. Toda a vida é regida pelos elementos yin (feminino) e yang (masculino), que se complementam e se transformam em eterno movimento, equilibrados pelo Tao. O taoísta aspira a fundir-se ao Tao e a atingir a imortalidade. Para isso, precisa viver em harmonia e equilíbrio com o próprio corpo e com a natureza e desapegar-se do mundo material. Conforme o Censo de 2000 do IBGE, há 857 adeptos do taoísmo no Brasil. Veja mais no site www.taoismo.org.br.

Budismo

Criado na Índia pelo príncipe Sidarta Gautama, o Buda, por volta do século VI a.C. A origem do budismo está na doutrina hindu, da qual herda os conceitos de samsara, carma e nirvana. Existem quatro “nobres verdades”, que constituem o núcleo da doutrina: Duka – tudo na existência é dor; Samudaya – a origem da dor é o desejo; Nirodha – o fim da dor é a completa supressão do desejo; Marga – o caminho para a superação da dor é a correção nos pensamentos, nas palavras, nas ações e no modo de vida. A religião chega ao Brasil no início do século XX, trazido pelos imigrantes japoneses.

O budismo tibetano se origina da fusão de tradições budistas e hinduístas com o antigo xamanismo asiático. O líder espiritual dessa linha é o dalai-lama, tido como a manifestação terrena de Avalokiteshvara, o Bodhisattava (ser iluminado) da compaixão, que reencarnaria sucessivamente. Hoje o posto é ocupado pelo tibetano Tenzin Gyatso, o 14º dalai-lama.

Hinduísmo

Conjunto de princípios, doutrinas e práticas religiosas que surge na Índia, a partir do século XV a.C., o hinduísmo é a terceira crença com mais adeptos no mundo. O termo hinduísmo é ocidental; os seguidores preferem o nome sânscrito Sanatana Dharma, que significa “a ordem eterna”. Alguns de seus escritos mais importantes são os Vedas (conhecimento, em sânscrito), que contêm a ordem (dharma) que rege as coisas e os seres, revelados pelos deuses.

Segundo o credo, o ser humano está preso a um ciclo de morte e renascimento (samsara). As reencarnações são regidas pelo carma, preceito segundo o qual a forma como renascemos na vida atual foi definida pelo estágio espiritual que alcançamos na vida anterior. O objetivo é superar o samsara e, assim, atingir o nirvana – a sabedoria resultante do conhecimento de si mesmo e de todo o universo. O caminho passa pelo ascetismo, pelas orações e pela prática de ioga.

As diversas divindades hindus são parte de Brahman, a essência universal. Três se destacam e compõem uma tríade divina: Brahma, o princípio criador, Shiva, o princípio destruidor e libertador, e Vishnu, o princípio protetor e preservador.

O hinduísmo é popular, sobretudo na Índia e no Nepal, onde é seguido por mais de 70% da população. No Brasil, há pouca tradição: segundo o Censo de 2000 do IBGE, são 2.905 adeptos. Veja mais no site www.hinduismo.org.br.

Jainismo

Uma das três antigas religiões indianas, ao lado do hinduísmo e do budismo, com as quais compartilha importantes conceitos, como o dharma e o carma. O nome deriva do verbo ji (conquistar, em sânscrito), uma referência à batalha interna pela iluminação espiritual. Surge a partir do século VI a.C., época em que vive Parshvanatha, o primeiro tirtancara (aquele que consegue vencer o ciclo de reencarnações) de que se tem evidências históricas. O mais recente tirtancara é Mahavira (século VI a.C.), que sistematiza a doutrina.

Os jainistas não acreditam em Deus; para eles, os únicos seres sobrenaturais são os tirtancaras. Defendem a não-violência, a abstinência sexual e a renúncia aos bensmateriais. Quase todos vivem na Índia. Não há números oficiais sobre os adeptos no Brasil.

Siquismo

Religião monoteísta criada no século XV, pelo guru Nanak (1469-1539), no Punjab, na Índia. Seus membros são conhecidos como sikhs. Surge como uma dissidência do hinduísmo. No decorrer de dois séculos, Nanak é sucedido por outros nove gurus, reencarnações do mesmo espírito. Após a morte do último guru, o espírito passa a habitar o livro sagrado, o Granth Sahib, que contém hinos cantados nos cultos. O culto apoia-se em práticas de ascese e contemplação, que conduziriam à comunhão com a divindade. A maioria dos siques está na Índia, onde, no início dos anos 1980, ocorrem violentos confrontos entre esses e o governo. Não há números oficiais sobre os adeptos no Brasil. Veja mais no site www.sikhismo.org.

Bahaísmo

Também chamada de Fé Bahá’í, é uma religião monoteísta criada pelo iraniano Mirza Husayn Ali (1817-1892), quando esse declara ser o imame, o líder esperado pelos adeptos do babismo, seita muçulmana da qual Husayn fazia parte à época. Conhecido por Bahá’u’lláh (Glória de Deus), Husaynescreve o Livro Santo, no qual registra os fundamentos do novo credo. No bahaísmo, Deus é transcendente e incognoscível, mas sua essência se manifesta na criação. Para os fiéis, o credo representa a síntese de todas as demais religiões, que são vistas como diferentes manifestações de uma mesma verdade. A crença não possui dogmas, sacerdotes nem rituais propostos, de modo que cada fiel a pratica à sua maneira. Mas recomenda, entre outras coisas, a monogamia, o vegetarianismo e prega a não vinculação a partidos políticos e às Forças Armadas. No Brasil, o bahaísmo chega em 1921, trazido pela norte-americana Leonora Armstrong. Veja mais no site www.bahai.org.br.

Xintoísmo

Religião politeísta japonesa que surge da adoração do Deus do céu, da natureza e dos ancestrais. Sua origem remonta ao século III a.C., mas é só por volta do século VI que a palavra “xintó” (caminho para os deuses) começa a ser usada, em oposição ao budismo, então levado ao país a partir da China. Sua ênfase está mais no culto (orações, oferendas, danças) que na doutrina. O xintoísmo possui um complexo de divindades, chamadas de Kamis, destacando-se a deusa-sol Amaterasu O-mikami. Também são venerados imperadores,heróis nacionais, espíritos guardiães de famílias, árvores, rios, cidades e fontes de água. É a religião oficial do Japão entre 1868 e 1946, quando, após a derrota do país na II Guerra Mundial, o imperador Hiroito renuncia ao caráter divino atribuído à realeza. O Censo de 2000 do IBGE revela que há 1.734 adeptos do xintoísmo no Brasil.

Zoroastrismo

Religião fundada pelo profeta persa Zoroastro, ou Zaratustra, que teria vivido entre o século VII e o VI a.C. Trata-se de uma teologia dualista baseada na luta entre Ormuzd (ou Ahura-Mazda), o espírito do bem, e Arimã (ou Angra-Mainyu), o do mal. A vitória final será de Ormuzd, mas para isso é preciso que o homem colabore com boas palavras, bons pensamentos e bons atos. O Zoroastrismo era a religião do Império Persa. Após a invasão árabe no século VII, parte dos adeptos refugia-se na Índia, onde surge a religião parsi, modalidade moderna da doutrina. Não há números sobre o zoroastrismo no Brasil.

Espiritismo

Doutrina codificada em 1857, em O Livro dos Espíritos, pelo pedagogo francês Allan Kardec (1804-1869). Seus adeptos acreditam no retorno do espírito à Terra, em sucessivas encarnações, até chegar à perfeição. O espiritismo prega a caridade e o amor ao próximo como meio de atingir a maturidade espiritual. Outro ponto fundamental na doutrina é a crença na possibilidade de comunicação entre vivos e mortos, que se dá por intermédio de um médium e pode acontecer de várias formas, como por mensagens escritas (psicografia) ou faladas (psicofonia). O espiritismo chega em meados do século XIX ao Brasil, que se torna um dos mais importantes centros da crença no mundo. No país, destaca-se o médium mineiro Chico Xavier. Veja mais no site www.febnet.org.br.

Islamismo

O islamismo, ou Islã, é uma religião monoteísta baseada nos ensinamentos de Muhammad (570-632), chamado pelos europeus à época de Maomé. A palavra islã significa submeter-se e exprime a obediência à lei e à vontade de Alá (Allah, deus em árabe). O Islã é ao mesmo tempo uma religiosa e uma comunidade social e política. Seus seguidores são conhecidos como muçulmanos. O livro sagrado é o Alcorão (do árabe al-qur’ãn, leitura), cujos principais ensinamentos são a onipotência de Alá e a necessidade de bondade, generosidade e justiça entre as pessoas. A segunda fonte de doutrina é a Suna, preceitos baseados nos hadith (ditos e feitos de Maomé).

O Islã tem cinco obrigações que todo muçulmano deve cumprir. São elas: professar que não há outro Deus a não ser Alá e que Maomé é seu profeta; orar cinco vezes ao dia voltado para a cidade de Meca; prestar caridade; jejuar no Ramadã (nono mês do calendário muçulmano); e peregrinar para Meca.

A esses pilares, a seita khawarij adicionou a jihad. Traduzida comumente como Guerra Santa, no Alcorão ela é entendida como a luta interna e individual contra os próprios erros ou os da comunidade. O termo também se refere a uma batalha empreendida a serviço da religião.

Os muçulmanos dividem-se em dois grandes grupos: os sunitas (cerca de 85%) e os xiitas (cerca de 15%). Eles surgem da disputa pela sucessão de Muhammad: enquanto os xiitas creem que apenas os descendentes diretos do profeta podem ocupar a posição de califas ou imãs – como são conhecidas as autoridades máximas na política e na religião –, os sunitas aceitam como guias qualquer muçulmano proeminente. Apesar de as diferenças doutrinais serem pequenas, o conflito político é profundo.

O islamismo chega ao Brasil com os escravos africanos, mas a primeira mesquita só é fundada em 1929, em São Paulo, por imigrantes árabes. Os muçulmanos concentram- se principalmente na capital paulista e na região de Foz do Iguaçu (PR). Veja mais no site www.islam.com.br.

Judaismo

É a primeira religião monoteísta da humanidade e, cronologicamente, a primeira oriunda do patriarca Abraão, seguida pelo cristianismo e pelo islamismo. Suas origens remontam ao século XX a.C., quando tem início a história dos hebreus (mais tarde chamados judeus), que teriam sido escolhidos pelo Deus único, onipotente e onisciente, como seu povo. Daí vem as fortes características étnicas do judaísmo, em que nação e religião se confundem.

A base do judaísmo está na obediência aos mandamentos divinos da Torá – como os judeus denominam o conjunto formado pelos cinco primeiros livros da Bíblia –, em que estão expressos, além das leis, os rituais e a história do povo. São hábitos judaicos a circuncisão (corte do prepúcio) dos recém-nascidos, o uso do kipá (espécie de chapéu que simboliza o temor a Deus) e a utilização do idioma hebraico como língua litúrgica. Os templos são chamados de sinagogas e os líderes espirituais de cada comunidade, de rabinos. Atualmente tem se popularizado a cabala, a tradição mística judaica.

No Brasil, os primeiros judeus a chegar, no começo da colonização, são os cristãosnovos, convertidos ao cristianismo contraa vontade para fugir da Inquisição. Em 2000 é descoberta no Recife (PE) a primeira sinagoga das Américas, construída em 1637, durante a ocupação holandesa em Pernambuco. Até então, acreditava-se que o primeiro templo judeu no Brasil tivesse sido fundado em 1910, no Rio de Janeiro. A partir de 1933, destaca-se a chegada de imigrantes alemães fugidos da perseguição nazista. Veja mais no site www.chabad.org.br.

Cristianismo

Religião dos seguidores de Jesus Cristo, que conta com o maior número de fiéis no mundo. Com origem na doutrina judaica, tem início com as pregações de Jesus, no século I, na região do atual Estado de Israel e dos Territórios Palestinos. Após sua morte, seus apóstolos (enviados, em grego) difundem a doutrina nas regiões do Mediterrâneo. O credo ganha força no século IV, quando o Império Romano, que combatera o cristianismo em seus primórdios, faz dele sua religião oficial. A partir do século XV, as grandes navegações europeias disseminam a fé cristã pelo mundo, tornando-a a mais popular do planeta.

O cristianismo, que tem por livro sagrado a Bíblia, professa que o Deus criador, revelado a Abraão, a Moisés e aos profetas judeus, envia à Terra seu filho como Messias (Cristo, em grego), o salvador. Jesus é morto em favor dos homens, que haviam perdido a graça divina no início da criação do mundo.

Após morrer na cruz, Cristo ressuscita e oferece a salvação e a vida eterna aos que se reaproximarem de Deus e seguirem seus preceitos. Para os cristãos, Deus é uma trindade formada pelo Pai, por seu filho – Jesus Cristo – e pelo Espírito Santo.

No decorrer da história, o cristianismo divide-se em três correntes principais – Igreja Católica, Protestantismo e Igreja Ortodoxa –, além de outras linhas como a Igreja Anglicana e os credos chamados de cristianismo de fronteira.

  • Cristianismo de Fronteira

Grupos que estão na intersecção entre o cristianismo e outra doutrina. Baseiam-se na Bíblia como referência, mas também se valem de fontes de revelação/verdade próprias, como livros ou visões. As principais denominações são Igreja Adventista, Mórmons e Testemunhas de Jeová.

  • Igreja Anglicana

Igreja oficial da Inglaterra, criada pelo rei Henrique VIII, que em 1534 rompe com a Igreja Católica. O anglicanismo faz parte do movimento reformador que varre a Europa a partir do século XVI. Com a nova religião, Henrique VIII fortalece a autoridade secular da monarquia sobre bens, tributos e questões eclesiásticas. Da Inglaterra, a Igreja Anglicana difunde-se para as colônias, especialmente na América do Norte. Mistura elementos católicos e protestantes. Chega ao Brasil em 1818, pelo Rio de Janeiro. A vinda de missionários norte-americanos impulsiona a fundação, em 1890, em Porto Alegre (RS), da Igreja Anglicana Episcopal do Brasil, que une as tradições de origem inglesa e norte-americana. Veja mais no site www.ieab.org.br.

  • Igreja Ortodoxa

Igreja que nasce do Cisma do Oriente, de 1054, quando as duas grandes tradições que conviviam no mundo cristão – a latina, com sede em Roma, e a bizantina, em Constantinopla – se separam, constituindo-se, respectivamente, a Igreja Católica Apostólica Romana e a Igreja Ortodoxa. Assim como os católicos, os ortodoxos reivindicam os apóstolos como seus fundadores, no século I, e se consideram os verdadeiros herdeiros da doutrina de Jesus. Os sacramentos também são os mesmos. Entre as diferenças estão a proibição das esculturas de santos, a não aceitação da virgindade de Maria e a permissão da ordenação de homens casados. A religião é trazida ao Brasil por imigrantes do Leste Europeu e árabes cristãos. O primeiro templo do país é fundado em 1903, em São Paulo. Veja mais no site www.ecclesia.com.br.

  • Igreja católica

É o maior ramo do cristianismo e o mais antigo como igreja organizada. O termo católico deriva do grego katholikos e significa universal.  Estruturam-se em regiões geográficas autônomas, as dioceses, dirigidas por bispos subordinados ao papa, considerado sucessor do apóstolo Pedro. O atual papa é o alemão Joseph Ratzinger (1927-), que assume o cargo em 2005, com o nome de Bento XVI. A sede da Igreja Católica fica no Vaticano.

A principal cerimônia é a missa. Seu ponto culminante é a eucaristia, um dos sete sacramentos (ritos sagrados) da Igreja, no qual, segundo a crença, Jesus Cristo se encontra presente com seu corpo, sangue, alma e divindade, na forma de pão e vinho. Os demais sacramentos são o batismo, a crisma, a confissão, o casamento, a ordenação e a unção dos enfermos.

Os católicos reverenciam a Virgem Maria, considerada a mais importante intermediária entre os fiéis e seu filho, Jesus Cristo, e os santos, mediadores entre o homem e Deus.

No Brasil, para onde foi trazida pelos colonizadores portugueses, a Igreja Católica permanece unida ao Estado até 1890. Na década de 1960, influenciada pela Teologia da Libertação – movimento que interpreta o Evangelho como um caminho de libertação do ser humano das opressões sociais –, a Igreja atua em setores populares, por meio das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs). A partir dos anos 1980, outro movimento se destaca: a Renovação Carismática, cujos integrantes resgatam práticas como a reza do terço, a devoção a Maria e as canções carregadas de louvor. O Brasil é o país com o maior número absoluto de católicos no mundo: 124,9 milhões, de acordo com o Censo de 2000 do IBGE. Veja mais no site www.catolicanet.com.br.

Protestantismo

Os protestantes, ou evangélicos, surgem com a Reforma Protestante, iniciada no século XVI, pelo alemão Martinho Lutero (1483-1546). Ao questionar práticas e dogmas católicos, como a venda de indulgências, ele rompe com a Igreja e dá origem ao luteranismo. O movimento difunde-se pela Europa, ramificando-se em várias vertentes. As igrejas surgidas nessa época fazem parte do protestantismo histórico. As mais importantes são a Luterana, a Presbiteriana, a Batista e a Metodista.

O protestantismo passa por importante renovação a partir de 1906, quando surge, nos Estados Unidos, o pentecostalismo. O nome faz referência ao dia de Pentecostes, quando, segundo a Bíblia, o Espírito Santo desceu sobre os apóstolos, manifestando-se pelo dom de falar em línguas. A principal característica do pentecostalismo é a convicção nos poderes do Espírito Santo, como o de curar doenças. Os cultos são marcados por discursos eloquentes dos pastores, cantos, orações coletivas e rituais de cura. No Brasil, as mais importantes igrejas pentecostais são a Congregação Cristã do Brasil, a Assembleia de Deus, a do Evangelho Quadrangular e a Deus É Amor. A partir do pentecostalismo, surge, na década de 1970, também nos Estados Unidos, o neopentecostalismo. Seu eixo central é a Teologia da Prosperidade. Ela assegura que o sucesso e a felicidade devem ser alcançados nesta vida por meio da fé, que se confirma pelas doações à igreja. A expulsão do demônio é enfatizada como a garantia de uma vida bem-sucedida e feliz e geralmente marca a conversão dos fiéis. A maior denominação neopentecostal criada no Brasil é a Igreja Universal do Reino de Deus.

IGREJAS

Assembleia de Deus

É fundada no início do século XX, pela união de vários grupos pentecostais norte-americanos. Hoje é uma das mais populares igrejas pentecostais do mundo. Chega ao Brasil em 1910, trazida pelos suecos vindos dos Estados Unidos Daniel Berg e Gunnar Vingren. A primeira igreja é instalada em Belém (PA). De lá, espalha-se por todo o país, tornando-se a maior igreja protestante brasileira. Veja mais no site www.igrejaassembleiadedeus.org.

Congregação Cristã do Brasil

Primeira igreja pentecostal do Brasil. Surge em 1910, por iniciativa do italiano Luigi Francescon, que vem dos Estados Unidos para ensinar imigrantes na América Latina. Francescon começa a pregar em Santo Antônio da Platina (PR) e na capital paulista. Nos primeiros 20 anos, a igreja restringe-se aos imigrantes italianos. No decorrer dos anos, avança e torna-se a terceira igreja evangélica mais popular do país, mas, geograficamente, continua concentrada em São Paulo e no Paraná. Nos cultos, a oração é de suma importância. Entre as formas de oração, destaca-se aquela em que o canto conduz a momentos de prece coletiva. Veja mais no site www.cristanobrasil.com.

Deus é Amor

Igreja criada por David Miranda, em 1962, em São Paulo (SP), onde fica a sede, e cujas origens estão associadas ao advento da pregação da cura divina no país. Segundo dados da própria igreja, a Deus É Amor possui, em 2006, cerca de 11 mil templos espalhados pelo Brasil, sobretudo nas regiões Sudeste e Sul, e em mais 136 países. É bastante rígida quanto aos costumes e à moral e ressalta os cultos exorcistas. Veja mais no site www.ipda.org.br.

Igreja Adventista

Grupo cuja doutrina está centrada no “advento de Cristo”, ou seja, no retorno de Jesus à Terra. É fundado pelo norte-americano William Miller (1782-1849),que prevê a volta de Cristo à Terra para 1843. Apesar do erro evidente, o movimento prospera ao ser retomado por Ellen White (1827-1915), seguidora de Miller, que, com base em revelações recebidas por visões, cria a Igreja Adventista do Sétimo Dia (o mais popular ramo adventista). No Brasil, o movimento chega em 1879, em Santa Catarina, de onde se espalha para os demais estados. Veja mais no site www.igrejaadventista.org.br.

Igreja Batista

Fundada em Londres, em 1611, por um grupo de luteranos, sob a liderança de Thomas Helwys. Valoriza o batismo de adultos por imersão, fazendo da confissão de fé pessoal do batismo o eixo que deve guiar a vida e o comportamento ético dos fiéis. É amplamente difundida nos Estados Unidos, de onde chega ao Brasil. Os primeiros batistas desembarcam no território brasileiro fugindo da Guerra Civil Americana (1861-1865) e fundam, em 1871, em Santa Bárbara d’Oeste (SP), a Igreja Batista de Santa Bárbara, de língua inglesa. Em 1882, missionários chegam a Salvador (BA), onde fundam a Primeira Igreja Batista do Brasil. Veja mais no site www.batistas.org.br.

Igreja do Evangelho Quadrangular

Igreja criada nos Estados Unidos, em 1927, por Aimée McPherson. O nome faz referência aos quatro papéis de Jesus Cristo: o que salva, o que batiza com o Espírito Santo, o que cura e o rei que vai voltar. No Brasil, é fundada em 1953, na capital de São Paulo, pelos missionários norte-americanos Harold Williams e Raymond Boatright. Um ano antes eles haviam empreendido a Cruzada Nacional de Evangelização e pregado em todo o Brasil. Sua presença é mais forte nas regiões Sul e Sudeste. Enfatiza o dom da cura e a capacidade de falar idiomas desconhecidos (glossolalia). Veja mais no site www.quadrangular.com.br.

Igreja Luterana

Igreja fundada por Martinho Lutero (1483-1546), no século XVI. A crença é próxima da teologia católica, porém, é abolida a confissão obrigatória, o culto aos santos e à Virgem Maria, o jejum e o celibato clerical. Além disso, a Bíblia é considerada a suprema autoridade no ensinamento e na ação da igreja, podendo ser interpretada sem o intermédio do padre. No Brasil, as comunidades pioneiras são estabelecidas por imigrantes alemães, a partir de 1824. O primeiro templo é construído em 1829, em Campo Bom (RS). A maior e mais antiga corrente no país é a Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB). Veja mais no site www.ielb.org.br.

Igreja Messiânica

A Igreja Messiânica pretende construir um paraíso terrestre pela eliminação do mal da sociedade, como doenças, guerras e fome. Os ensinamentos são revelações que o mestre Meishu-Sama (Portador da Luz) teria recebido de Deus, em 1926, no Japão, compilados em um livro que leva seu nome. Os devotos praticam métodos de purificação – como o johrei, a imposição de mãos – para se livrar de imperfeições espirituais. Os fiéis buscam canalizar a luz divina eliminando, assim, as máculas de quem recebe a imposição de mãos. A Igreja Messiânica tem o segundo maior grupo religioso oriental do Brasil, atrás apenas do budismo. Veja mais no site www.messianica.org.br.

Igreja Metodista

A Igreja Metodista é fruto de uma dissidência da Igreja Anglicana conduzida pelo pastor John Wesley, em 1740, na Inglaterra, com influência do reformador francês João Calvino (1509-1564). Os adeptos acreditam na purificação por meio da disciplina e da negação dos prazeres mundanos. A primeira igreja brasileira é fundada em 1876, por John James Ranson, no Rio de Janeiro. Veja mais no site www.metodista.org.br.

Igreja Presbiteriana

Igreja fundada pelo escocês John Knox, no século XVI, com base na doutrina de João Calvino (1509-1564). É mais rigorosa que a vertente luterana, especialmente quanto ao comportamento dos fiéis, enfatiza o ensino bíblico e busca evangelizar por meio da educação. A Igreja Presbiteriana do Brasil, a maior desse ramo no país, é fundada em 1863, no Rio de Janeiro, pelo missionário norte-americano Ashbel Simonton. Veja mais no site www.ipb.org.br.

Igreja Universal do Reino de Deus

Fundada em 1977, pelo fluminense Edir Macedo, no Rio de Janeiro. Cresce rapidamente em todo o país e, já no início dos anos 1980, chega ao exterior, nos Estados Unidos. Está presente em dezenas de países. É caracterizada pela intensa presença na mídia e pela realização de grandes eventos que reúnem milhares de pessoas e incluem, entre outras práticas, sessões de cura divina e exorcismos. Veja mais no site www.igrejauniversal.org.br.

Mórmons

Nome pelo qual são conhecidos os membros da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, fundada em 1830, pelo norte-americano Joseph Smith (1805 -1844). Baseado em visões, Smith escreve o Livro de Mórmon, que, ao lado da Bíblia, é o fundamento da doutrina do movimento. Os mórmons não têm sacerdotes – qualquer adulto pode celebrar o culto. Praticam o batismo de mortos (por crerem que fora de sua igreja não há salvação) e estimulam firmemente os jovens a prestar serviço missionário. O movimento chega ao Brasil em 1935, experimentando grande crescimento na década de 1980. Veja mais no site www.mormon.org.br.

Testemunhas de Jeová

Religião criada nos Estados Unidos por Charles Russel (1852-1916). Russel prevê, em 1877, que Cristo voltaria à Terra em 1914. Apesar da falha, o movimento prospera. A denominação é baseada em trechos da Bíblia segundo os quais o nome verdadeiro de Deus é Jeová e seu povo é formado por suas testemunhas. Os seguidores não fazem transfusão de sangue, costumam pregar sua fé de porta em porta e esperam pelo estabelecimento do Reino de Deus na Terra, que deve ocorrer após o Armagedon (batalha final entre o bem e o mal). No Brasil, o movimento chega em 1923, no Rio de Janeiro.

Fonte: Almanaque Abril 2012.