SOCIEDADE
A palavra sociedade possui vários sentidos, sendo o mais geral o de “agrupamento de seres que convivem em estado gregário e em colaboração mútua” (dicionário Houaiss), válido tanto para a sociedade humana quanto para agrupamentos existentes no mundo animal. Nosso foco do tema sociedade, no entanto, se aproxima mais do moderno uso da expressão “sociedade civil”, entendida como o espaço não estatal da vida social.
O conceito de sociedade civil sofreu diversas modificações de significado desde o início de seu uso, há vários séculos. Originalmente, a expressão era utilizada em contraposição à “sociedade natural”, à vida livre do homem em meio à natureza. Era esse o conceito do filósofo inglês Thomas Hobbes (1588-1679), que opunha o estado civil ao estado primitivo, no qual o homem vivia submetido às leis da natureza. Para Hobbes, a sociedade civil nasce com a constituição de um poder comum, capaz de assegurar aos homens bens como a paz, a liberdade, a propriedade e a segurança. Assim, o filósofo identifica a sociedade civil com o Estado e a política.
O filósofo iluminista suíço Jean-Jacques Rousseau (1712-1778) dá um novo significado à expressão, que, em seu entendimento, é exclusivamente de “sociedade civilizada”, em oposição ao estado selvagem. Para Rousseau, cujas ideias influenciaram diretamente a Revolução Francesa (1789), a sociedade civil é palco de conflitos permanentes, de usurpações e de exploração; ainda não é uma “sociedade política” – que para ele surge com um “contrato social”, ou seja, um contrato em que os indivíduos renunciam à liberdade natural e concordam em transferir a um terceiro – o soberano – o poder para aplicar as leis.
A ideia de sociedade civil como um espaço distinto da esfera do Estado se desenvolve com os filósofos do século XIX e os do XX. Em seu uso moderno, sociedade civil significa a esfera das relações entre indivíduos, entre grupos, entre classes sociais que se desenvolvem por fora das relações de Estado. Assim, a ideia de sociedade civil expressa a evolução do corpo social, que produz as demandas e os problemas que o Estado é chamado a resolver.

POPULAÇÃO MUNDIAL
A dinâmica do crescimento populacional no mundo está sendo alterada nas últimas décadas, principalmente pelos avanços da medicina e pelo aumento do acesso a educação e saneamento básico. Os principais impactos desses fatores são a redução do número de filhos por mulher, a queda na mortalidade infantil e o aumento da longevidade humana – com forte variação, porém, de país para país. A grande consequência dessas mudanças são a desaceleração do crescimento populacional e o aumento da expectativa de vida.
Segundo dados do Fundo de População das Nações Unidas (Fnuap), o planeta alcançou 7 bilhões de habitantes em 2011. As estatísticas mostram uma queda no ritmo de crescimento da população global. Nos anos 1990, esse crescimento era de 82 milhões de pessoas por ano. De acordo com as estimativas da Organização das Nações Unidas (ONU), a Terra terá pouco mais de 9 bilhões de habitantes em 2050, crescendo a um ritmo anual de 0,33%, taxa bem inferior à atual, que é de 1,2%.
Com 4,1 bilhões de habitantes, a Ásia é a região mais populosa do planeta. O continente ocupa essa posição desde o declínio de uma área que no passado foi a mais habitada do mundo: a Europa. A população desse continente, que já representou 21,7% do total mundial, responde atualmente por 10,6%. A África, que em 1950 abrigava 8,9% da população do globo, detém 14,9% e, em 2050, segundo projeções da ONU, vai chegar a 21,8%. O país mais populoso do mundo é a China, com 1,35 bilhão de pessoas, seguida pela Índia, com 1,21 bilhão. Com uma rígida política de controle da natalidade, na qual cada mulher pode ter somente um filho, a China deverá ser ultrapassada pela Índia nas próximas décadas.
A África é o continente que apresenta a maior taxa de crescimento populacional, estimada em 2,3% ao ano (para 2005-2010), seguida pela Oceania (1,3%), América Latina (1,1%) e Ásia (1,1%). Nos Estados Unidos e no Canadá, apesar de a taxa de fecundidade – número de filhos por mulher – estar abaixo do nível de reposição populacional – média próxima a 2,1 filhos por mulher –, o número de habitantes cresce 1% ao ano graças à imigração. Na Europa, a evolução demográfica se apresentou praticamente parada no período, com taxa de 0,1% ao ano.
Os estudos mostram que a taxa de crescimento demográfico é menor em países ricos. Entre 2005 e 2010, nas regiões mais desenvolvidas do mundo, esse índice está estimado em 0,3% ao ano. Nas regiões menos desenvolvidas, em 1,4%, e, nas mais miseráveis, em 2,3%. A previsão é que a população dos países desenvolvidos, que hoje representa 17,9% do total, terá diminuído para 13,9% em 2050. As pessoas que vivem nas regiões mais pobres, que representam 12% da população global, em 2050 serão 18,2%.

POPULAÇÃO BRASILEIRA
O Brasil possui a quinta maior população do mundo e chega a 2011 com 192.379.287 habitantes, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com cerca de 20% da população brasileira, o estado brasileiro mais populoso é São Paulo, com 41.587.182 habitantes, segundo as estimativas do IBGE.
Acompanhando tendência mundial, o crescimento demográfico brasileiro vem se desacelerando nas últimas quatro décadas. Esse processo é decorrente principalmente da queda constante da taxa de fecundidade (que representa a quantidade de filhos que cada mulher tem na vida). Em 2010, a densidade demográfica no Brasil é de 22,4 habitantes por quilômetro quadrado.
Desde o início da atual série histórica da taxa de fecundidade brasileira, que começou em 2001 (e era de 2,33 filhos por mulher), 2009 foi o primeiro ano em que a taxa sofreu elevação. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) 2009, do IBGE, a taxa ainda continua abaixo do índice de reposição, que é de 2,1, mas aumentou em comparação com 2008, passando de 1,89 para 1,94 filho por mulher em 2009. Mesmo tendo crescido, esse número reforça a tendência à queda na taxa de natalidade, mas, em curto prazo, não significa uma estagnação populacional, pois existe uma larga faixa de população em plena idade reprodutiva – são mais de 50 mil mulheres entre 15 e 49 anos, que representam mais de 50% do total de mulheres do país, o que faz com que haja mais nascimentos do que mortes.
No entanto, a situação pode mudar daqui a 20 anos se for mantido o atual ritmo de natalidade, quando a população brasileira deve parar de crescer. De acordo com as projeções, o Brasil contará em 2050 com uma população total de cerca de 218,5 milhões de pessoas.
Dividindo-se o número de habitantes pela área total do território brasileiro, chega-se à densidade populacional do país: 22,43 habitantes por quilômetro quadrado. Na prática, porém, a ocupação no país varia drasticamente de uma região para outra. Na Região Norte, a densidade é de aproximadamente quatro habitantes por quilômetro quadrado. Já na Região Sudeste, existem 87 habitantes por quilômetro quadrado, sobretudo nos estados do Rio de Janeiro e de São Paulo. Há quatro décadas, o Sudeste é a região mais populosa do Brasil.

QUALIDADE DE VIDA – IDH
Para medir as variações no padrão de qualidade de vida das diferentes populações do globo, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) criou o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). A apuração desse índice considera três indicadores: educação, longevidade e renda. Isso porque a conquista de bem-estar para todos pressupõe o direito a uma existência longa e saudável e a uma qualidade de vida compatível com as últimas aquisições científicas e tecnológicas da humanidade.
Em educação são levadas em conta a média de anos de escolaridade e os anos de escolaridade esperados para as devidas faixas etárias. A longevidade considera a expectativa de vida ao nascer, sintetizando as condições de saúde e salubridade. Quanto à renda, a partir de 2010 passou a ser medida pelo rendimento nacional bruto (RNB).
Outra mudança a partir daquele ano foi o modo que os três indicadores são transformados em um único índice: através do calculo de média geométrica. O IDH varia de 0 a 1. Quanto mais perto de 1, maior é o bem-estar. A partir do IDH de cada país, o Pnud faz um ranking que separa os países em quatro categorias:. Baixo desenvolvimento, médio desenvolvimento, alto desenvolvimento e desenvolvimento muito alto.

QUALIDADE DE VIDA – IDH – BRASIL
No ranking mundial do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), que mede a qualidade de vida, o Brasil entrou em 2007 no patamar de alto desenvolvimento humano, mas ainda atrás de alguns de seus vizinhos, como Chile, Argentina e Uruguai. No relatório mais recente, divulgado em 2010 com dados de 2008, o Brasil fica em 73º lugar entre 169 países, com índice de 0,699. Devido às mudanças na forma de avaliar o IDH a partir de 2010, não é possível estabelecer uma comparação com os anos anteriores, mas o Brasil se manteve na mesmo possição entre 2009 e 2010.
Os municípios brasileiros com o maior IDH, segundo dados do último Pnud que realizou a investigação, em 2000, estão concentrados no Sudeste e são: São Caetano do Sul (SP), Águas de São Pedro (SP), Niterói (RJ), Florianópolis (SC) e Santos (SP). Já os com os piores índices estão no Nordeste e Norte: Manari (PE), Jordão (AC), Traipu (AL), Guaribas (PI) e Centro do Guilherme (MA).

EXPECTATIVA DE VIDA
A expectativa ou esperança de vida é o número médio de anos que se espera que uma pessoa viva no momento de seu nascimento. É um índice influenciado, sobretudo, pelas condições de saúde existentes nos países (padrão de atendimento médico, saneamento básico, alimentação), bem como pelo perfil educacional da população e pela qualidade de vida. Desde 1950, a expectativa no mundo aumentou mais de 20 anos. Nas nações desenvolvidas, vive-se mais do que nos países em desenvolvimento e nos pobres, pois as condições gerais de vida são melhores. Enquanto no Japão os homens vivem, em média, 79 anos e as mulheres, 86, nações da Ásia Central e África apresentam os piores indicadores do planeta, como é o caso do Congo e da Guiné-Bissau, onde os homens vivem em média 47 anos e as mulheres, 50, e da Serra Leoa, que homens e mulheres vivem em média, respectivamente, 47 e 48 anos.
A longevidade maior das mulheres na maioria dos países se explica por diferenças biológicas. A vantagem começa na infância. A taxa de mortalidade entre bebês do sexo feminino é, geralmente, menor do que a entre os do sexo masculino. Nos países mais pobres, no entanto, tal vantagem é comprometida no decorrer da vida em razão de desigualdades entre os gêneros e da falta de nutrição e de assistência médica adequada, notadamente no período reprodutivo da vida.

EXPECTATIVA DE VIDA NO BRASIL
O Brasil ocupa o 91º lugar no ranking mundial de expectativa de vida calculado pela ONU, e esse indicador vem crescendo nos últimos anos, o que reflete a melhoria geral das condições de vida e saúde no país. Segundo estudo divulgado em 2011 pelo IBGE, o brasileiro atinge 73,5 anos de esperança de vida ao nascer. Entre 1999 e 2010, esse número cresceu 3,5 anos, com uma situação mais favorável para as mulheres. A expectativa de vida das mulheres, que era de 73,9 em 1999, subiu para 77,3 em 2010. No caso dos homens, passou de 66,3 para 69,7 anos.
Os maiores ganhos na expectativa de vida do país ocorreram entre as décadas de 1950 e 1980. O fator principal foram os avanços na área de saúde, como a introdução dos antibióticos, a adoção de medidas preventivas de saúde pública e a expansão da rede de saneamento básico. Esses elementos levam à redução da mortalidade por doenças infecciosas, particularmente entre as crianças.
Por estados, Santa Catarina e o Distrito Federal registraram a maior expectativa de vida, de 75,8 anos, em 2009. Alagoas registrou a menor, de 67,6 anos. É importante notar que os números da ONU são diferentes dos do IBGE, pois há uma defasagem e uma adequação dos dados para a elaboração de estatísticas internacionais.

ENVELHECIMENTO POPULACIONAL
O aumento da longevidade humana combinado à queda na taxa de fecundidade – o que faz com que, no geral, haja mais idosos e menos crianças – resulta no envelhecimento populacional, principalmente nos países desenvolvidos. De acordo com dados da ONU, em 1950 existiam 205 milhões de pessoas com mais de 60 anos no planeta. Esse número quase triplicou até o ano 2000, somando 606 milhões. De acordo com projeções, essa população deve chegar até 2050 a 2 bilhões. A taxa de crescimento da população idosa é de 1,9% ao ano, maior que a do crescimento da população em geral, que é de 1,17%. A Europa é a mais afetada pelo envelhecimento. Em 2050, 37% dos europeus terão mais de 60 anos, contra os 20% existentes atualmente.
O envelhecimento da população compõe o fenômeno da transição demográfica, caracterizado pelo declínio das taxas de mortalidade e de fecundidade. Isso modifica a forma da pirâmide populacional: a base fica estreita e o topo aumenta.

GÊNERO
As mulheres são uma ligeira minoria no globo: 49,6% da população mundial. A longevidade maior faz com que elas sejam majoritárias em cinco dos seis continentes, especialmente na Europa, onde existem 93 homens para cada 100 mulheres, de acordo com dados de 2010 da Divisão de População da ONU. Os países europeus foram os primeiros a entrar no processo de transição demográfica e a ver o envelhecimento de sua população. Há uma maioria feminina acentuada entre os idosos.
O único continente no qual os homens são maioria é a Ásia (104,8 homens para 100 mulheres), graças, sobretudo, à China, à Índia, a Bangladesh e ao Paquistão, que, somados, têm cerca de 2,88 bilhões de habitantes – mais de 40% da população mundial. São países nos quais as famílias dão muita importância ao nascimento de meninos, que perpetuam o sobrenome e são responsáveis pelo cuidado com os pais na velhice. Com a queda na taxa de natalidade, que ocorre em quase todo o planeta, reforçada na região por políticas oficiais – na China, por exemplo, há forte pressão governamental por um único filho por casal –, amplia-se o empenho das famílias pelo nascimento prioritário de bebês do sexo masculino.

GENÊRO NO BRASIL
No Brasil, as mulheres são maioria, representando 51,03% da população, contra 48,97% de homens. Dados do Censo Demográfico 2010 demonstram que o número de mulheres supera o de homens em quase todas as regiões. O norte do país, que em 2009 tinha uma parcela maior de mulheres, passou a apresentar 49,5% contra 50,5% de homens. O Sudeste é a região com a maior porcentagem de mulheres em 2010, 51,38%, contra 48,62% de homens. O principal motivo para esse desequilíbrio é a maior longevidade das mulheres.
Algumas das maiores transformações em curso na sociedade brasileira envolvem as mulheres. Com maior escolaridade e menor número de filhos, cresce a presença da mulher no mercado de trabalho e na participação do sustento das famílias. A cada ano, os dados divulgados pelo IBGE mostram as mudanças na situação da parcela feminina da população. Em 2009, por exemplo, as mulheres brasileiras apresentam, em média, 0,4 ano a mais de escolaridade do que os homens. A diferença de escolaridade entre homens e mulheres é maior no Nordeste, onde elas passam quase um ano a mais na escola – são 6,4 anos, contra 5,6 –, e no Norte, região em que as mulheres ficam sete anos na escola e os homens, 6,3. Entre 1997 e 2008, o percentual de mulheres entre os universitários saltou de 53% para 57,1%.

FECUNDIDADE
A taxa de fecundidade expressa o número médio de filhos que as mulheres têm no decorrer da vida. Nas últimas décadas, os índices vêm caindo em todo o mundo. A média do planeta, de acordo com o último Relatório sobre a Situação da População Mundial 2011, do Fundo de População das Nações Unidas (Fnuap), ficou em 2,52 filhos por mulher. O mínimo indicado para que a população se mantenha é de 2,1 filhos por mulher – duas crianças substituem os pais, a fração 0,1 compensa as meninas que morrem antes de atingir a idade reprodutiva. Esse número é considerado a taxa de reposição populacional. De acordo com um critério baseado em divisões continentais, a ONU reportou as seguintes taxas: Europa, 1,52; Canadá e Estados Unidos, 2,02; Oceania, 2,42; Ásia, 2,30; América Latina e Caribe, 2,17; e África, 4,45. Os dados fornecidos pela ONU representam uma estimativa das taxas de fecundidade em 2009. Por esses dados, a taxa de fecundidade do Brasil é de 1,78 filho por mulher. Entretanto, o dado usado nas estatísticas brasileiras é o fornecido pelo IBGE relativo a 2009, ano em que a taxa de fecundidade foi de 1,94.
Em geral, no campo, onde ainda predomina a economia de subsistência, grande número de filhos pode significar mais mão de obra e maior capacidade de produção no futuro. Nas cidades, a renda do trabalho adulto, dividida entre um número maior de pessoas, reduz a possibilidade de recursos para garantir à família boa alimentação e moradia, além de dinheiro para a educação, a saúde e o lazer.
Além da urbanização, outro fator que avançou nas últimas décadas foi a popularização dos métodos contraceptivos. Segundo a ONU, estima-se que atualmente em torno de 63% das mulheres do mundo entre 15 e 49 anos utilizem tais métodos, sobretudo o Dispositivo Intrauterino (DIU) e a pílula anticoncepcional.

FECUNDIDADE NO BRASIL
A queda na taxa de fecundidade no Brasil teve início na década de 1960. De lá para cá, a média de filhos por mulher caiu de 6,3 para 1,94, índice abaixo da taxa de reposição populacional, de 2,1 filhos por mulher. A diminuição da fecundidade deve-se a transformações econômicas e sociais que se acentuam na segunda metade do século XX, principalmente a urbanização. Nesse período, o papel social da mulher mudou: ela deixa de viver exclusivamente no núcleo familiar e ingressa crescentemente no mercado de trabalho. Como resultado dos avanços da medicina e da educação, as mulheres passam a ter cada vez mais acesso aos métodos contraceptivos. Na faixa etária de 15 a 49 anos, 67,8% das brasileiras usam algum método para evitar filhos, segundo dados da última Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde da Criança e da Mulher (PNDS), de 2006, realizada pelo Ministério da Saúde. Os métodos mais utilizados são a esterilização cirúrgica e a pílula anticoncepcional. Ocorre também no Brasil a prática do aborto, embora seja ilegal na grande maioria dos casos – feito clandestinamente por médicos, leigos e até pelas próprias mulheres, com eventuais danos graves à saúde.
A redução do número médio de filhos inicia-se com as mulheres das classes média e alta dos centros urbanos do Sul e do Sudeste e atinge gradativamente as demais classes e regiões. Em 2009, a região brasileira com a maior taxa de fecundidade é a Norte, com 2,51 filhos por mulher, seguida da Nordeste, com 2,04, e da Centro-Oeste, com 1,93. A menor taxa é da Região Sudeste, com 1,75 filho por mulher. Na Região Sul, foi registrado 1,92 filho por mulher.

MORTALIDADE INFANTIL
Por taxa de mortalidade infantil entende-se o número de crianças que morrem antes de completar 1 ano a cada mil nascidas vivas. Essa mortalidade vem sendo reduzida no mundo, mas ainda é um problema humanitário grave nas regiões pobres. Entre as causas estão a falta de assistência e de orientação às grávidas e às parturientes, a deficiência na assistência hospitalar aos recém-nascidos, a ausência de saneamento básico – que favorece a contaminação de alimentos e de água, causa de diversas moléstias que vitimam as crianças – e a desnutrição, que atinge as populações pobres.
A taxa de mortalidade infantil no mundo é de 58 crianças até 1 ano para cada mil nascidas, de acordo com dados do Fnuap de 2011. A redução da mortalidade infantil é uma das Metas de Desenvolvimento do Milênio da ONU – um conjunto de oito objetivos de melhorias no padrão de vida fixadas em 2000, a ser alcançadas em 2015, por meio de medidas adotadas em cada país. De 1990 a 2011, registra-se uma queda da mortalidade infantil no planeta de 65 crianças até 1 ano para cada mil nascidas para 58 por mil, mas a desigualdade internacional é grande. Nos países ricos, a mortalidade infantil é de seis crianças a cada mil nascidas vivas, enquanto nos países pobres, de cada mil crianças nascidas, 78 morrem antes de completar 1 ano. O cenário mais dramático dos países pobres é em Serra Leoa, que chega a uma taxa de mortalidade infantil de 114 por mil.

MORTALIDADE INFANTIL NO BRASIL
A taxa de mortalidade infantil é um dos mais significativos indicadores para atestar a qualidade de vida de um povo, pois os principais fatores para sua redução são a expansão do saneamento básico, o acompanhamento médico da mulher desde o início da gravidez, o atendimento hospitalar ao recém-nascido, uma boa alimentação para o bebê e a melhoria da educação materna.
Dados divulgados em 2010 pelo IBGE indicam que a taxa de mortalidade infantil no Brasil está em declínio – passou de 31,7 crianças mortas por mil nascidas vivas para 22,5, entre 1998 e 2010. O Rio Grande do Sul foi o estado que registrou a menor taxa de mortalidade infantil, 12,7 crianças mortas por mil nascidas vivas, e Alagoas, com 46,4, a mais elevada em 2009. Mesmo tendo diminuído, a taxa de mortalidade infantil no país ainda é considerada alta pelos padrões da OMS, e está longe da estipulada para as Metas de Desenvolvimento do Milênio. De acordo com projeções, em 2015, ano de divulgação dos resultados do documento, essa taxa estará próxima de 18,2 crianças mortas por mil nascidas vivas – a meta a ser alcançada é de 15 crianças mortas por mil nascidas vivas.

RENDA PER CAPITA
Tradicionalmente, o índice utilizado para avaliar a riqueza de um país com relação ao tamanho de sua população é a renda per capita, obtida dividindo-se o valor do Produto Nacional Bruto em dólares pelo número de habitantes da nação. Contudo, ao calcular o tamanho da riqueza por habitante, a renda per capita não permite estimar se a riqueza é distribuída com maior ou menor equanimidade na sociedade.

RENDA PER CAPITA NO BRASIL
O rendimento médio mensal real dos brasileiros aumentou 2,3% de 2008 para 2009, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgada pelo IBGE em 2010. O rendimento médio mensal real passou de 1.046 reais em 2007 para 1.064 reais em 2008, chegando a 1.088 reais em 2009. De 2008 para 2009, os maiores ganhos ocorreram no Norte (4,9%) e no Nordeste (3,9%), seguidos pelas regiões Sul (3,1%) e Sudeste (1,6%). No Centro-Oeste houve um decréscimo, de menos 3,8%. O Nordeste apresentou o menor rendimento médio: 722 reais; e o Centro-Oeste registra o maior número: 1.298 reais.
A renda per capita do brasileiro aumentou em 2008, principalmente entre a parcela mais pobre da população. Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), com dados da Pnad 2008, entre 2001 e 2008, o crescimento da renda per capita foi de 2,8% por ano. Entre os 10% mais pobres, a renda cresceu 8,1% ao ano, um aumento maior do que entre os 10% mais ricos, que tiveram um crescimento de 1,4% ao ano.

DESIGUALDADE SOCIAL
A desigualdade social apresenta-se como um dos maiores problemas das sociedades e está na origem de boa parte dos conflitos entre povos, bem como na persistência de epidemias e outros males relacionados às más condições de vida em todo o mundo. Ela é resultado da má distribuição da riqueza, que caracteriza o perfil social na maioria dos países e, em termos globais, também separa um número restrito de países ricos do resto das nações.
No processo de superação das desigualdades sociais, a luta contra a pobreza é uma das prioridades. Os critérios mais comuns para caracterização de quem é pobre são os padrões de renda ou de consumo. Denomina-se linha de pobreza o nível mínimo de renda ou consumo que permite a uma pessoa satisfazer suas necessidades básicas de alimentação. Esse patamar varia de acordo com a época e a sociedade. Cada país estabelece um piso apropriado a seu grau de desenvolvimento e a seus respectivos valores culturais.
Há, porém, a necessidade de comparações regionais e entre os países. Para isso, o Banco Mundial faz a média das dez piores linhas nacionais de pobreza do planeta e ajusta o número resultante por meio de um fator chamado paridade do poder de compra (PPC). O emprego desse coeficiente permitiu criar um índice econômico, o dólar PPC, que tem o mesmo poder de compra em qualquer país, independentemente da flutuação da taxa de câmbio. Com base nesse cálculo, há dois patamares de renda:
• os pobres, que ganham entre 1,25 e 2 dólares PPC ao dia;
• os extremamente pobres, que recebem menos de 1,25 dólar PPC ao dia.
Segundo o Relatório de Indicadores de Desenvolvimento do Banco Mundial de 2011, em 2005 cerca de 1,37 bilhão de pessoas, ou 25,2% da população mundial, viviam com menos de 1,25 dólar PPC por dia e 2,5 bilhões ganhavam menos de 2 dólares PPC por dia, o equivalente a 47% da população. Essa parcela demonstra que, apesar das dificuldades relativas ao desempenho econômico dos países mais pobres, a incidência da pobreza no mundo (menos de 2 dólares PPC) vem diminuindo: caiu de 63,4% da população em 1990 para os 47% em 2005. Porém, dados mais recentes indicam que o progresso na luta contra a pobreza tem diminuído em razão da crise econômica global. De acordo com a Organização Internacional do Trabalho, esse efeito vem sendo percebido pelos trabalhadores: um em cada cinco empregados e suas famílias viviam em extrema pobreza (menos de 1,25 dólar PPC ao dia) em 2009.
Embora tenha havido redução na pobreza, o fosso entre os muito ricos e a massa da população do planeta aumentou nos últimos anos. A parcela do 1% mais rico da população mundial tem renda equivalente à dos 57% mais pobres. O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) investigou a concentração de renda em vários países. O menos desigual é o Japão, onde os 10% mais ricos recebem uma renda 4,5 vezes superior à dos 10% mais pobres. Nos Estados Unidos, o país mais desigual entre as nações com o índice muito alto de IDH, essa diferença é de 15,9 vezes.

CONCENTRAÇÃO DE RENDA NO BRASIL
O maior aumento da renda per capita dos mais pobres em relação aos mais ricos mostra uma diminuição na desigualdade. Segundo o IBGE, uma forma de visualizar a queda da desigualdade é observar o crescimento acumulado na renda dos 20% mais pobres com os 20% mais ricos. Enquanto em 2001 a renda dos 20% mais ricos era 24,3 vezes maior do que a dos 20% mais pobres, em 2009, passou a ser 17,8 vezes.
Apesar desse indicador, o Brasil persiste com uma das maiores concentrações de renda do mundo: enquanto a população 10% mais rica vive com mais de 40% da renda nacional, os 40% mais pobres sobrevivem com apenas 10% da renda. Esse foi o resultado divulgado em 2009 pelo Ipea, com dados da Pnad 2008.
Dados do Censo Demográfico 2010, divulgados pelo IBGE, mostram que, entre 1998 e 2010, caiu de 32,4% para 27,4% o percentual de famílias com rendimento, por pessoa, de até um salário mínimo. No Nordeste, a queda foi de 54,3% para 39,5%.
Mesmo com a melhora, os dados referentes à concentração de renda ainda são insatisfatórios. Eles demonstram que esse cenário tem relação com a cor da pele e suas implicações históricas e sociais. A população negra (negros e pardos) recebe menos do que a metade do rendimento dos brancos.
Para medir a concentração de renda em níveis mundiais, o padrão adotado internacionalmente é o Índice de Gini, cujo valor varia de zero (a igualdade perfeita) a 1 (a desigualdade máxima). No Brasil, desde 1996, houve uma redução discreta, mas constante, desse índice, partindo de 0,568 para chegar ao patamar de 0,518, em 2009, de acordo com IBGE.

Fonte: Almanaque Abril 2012.